22 de setembro de 2010

Cinza

Sozinha, logo pela manhã. Ouve um baque repentino. A porta de entrada. Hesita, mas abre. Embalada por um som repetitivo, se percebe vislumbrando o vácuo. Olha para o chão: papel dobrado sobre o tapete. Leva o nome de outra pessoa.
Fecha a porta calmamente. Deixa a correspondência sobre a mesa. Hipnose: o repetitivo som de onda serve de guia. Depara-se com a sacada da cobertura. Observa o entorno. Céu cinzento. quase insosso ante a um mar revolto.
Sentia-se no canto da dondoca abandonada : traída pelo marido, rejeitada pelos filhos, ignorada pelos amigos. Balança a cabeça para tentar se livrar do sonho... É verdade! Traída pelo marido, rejeitada pelos filhos, e ignorada pelos amigos. Remói intensamente os fatos enquanto recolhe o café da manhã dos patrões.

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