26 de setembro de 2010

pOUCO e fALSO

sempre algo que me fere, me rasga, me tortura ao triturar. Sinto uma máscara de sorrisos falsos posta em cima do bagaço da minha cara remendada e cheia de buracos...

22 de setembro de 2010

Devaneios.

Desespero-me quando meus delírios vêm a tona
e meus devaneios se tornam públicos.
Essa loucura me consome aos poucos.
Mas eu os publico assim mesmo,
com a esperança de que minha vida tão sem nexo
 caia nas mãos de um autor/Deus
com síndrome de Almodovar

Cinza

Sozinha, logo pela manhã. Ouve um baque repentino. A porta de entrada. Hesita, mas abre. Embalada por um som repetitivo, se percebe vislumbrando o vácuo. Olha para o chão: papel dobrado sobre o tapete. Leva o nome de outra pessoa.
Fecha a porta calmamente. Deixa a correspondência sobre a mesa. Hipnose: o repetitivo som de onda serve de guia. Depara-se com a sacada da cobertura. Observa o entorno. Céu cinzento. quase insosso ante a um mar revolto.
Sentia-se no canto da dondoca abandonada : traída pelo marido, rejeitada pelos filhos, ignorada pelos amigos. Balança a cabeça para tentar se livrar do sonho... É verdade! Traída pelo marido, rejeitada pelos filhos, e ignorada pelos amigos. Remói intensamente os fatos enquanto recolhe o café da manhã dos patrões.